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Duality Clinic

Sorriso gengival: o que causa e como tratar

O sorriso gengival tem causas diferentes, e cada uma tem um caminho. Veja quando a toxina botulínica ajuda, quanto dura e quando o tratamento é outro.

Homem de cabelo escuro cacheado e barba curta, de três quartos, rindo e mostrando os dentes de cima
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Sorriso gengival é quando aparece mais gengiva do que a pessoa gostaria ao sorrir. Não é doença, e a gengiva à mostra tende a diminuir com a idade. Se isso incomoda você, o primeiro passo é descobrir a causa, porque o tratamento depende dela. A toxina botulínica (popularmente chamada de botox) ajuda só em parte dos casos.

O que é sorriso gengival?

É quando o sorriso mostra, acima dos dentes de cima, uma faixa de gengiva maior que a comum. Mostrar 1 a 2 milímetros de gengiva ao sorrir é considerado normal. Em geral, fala-se em sorriso gengival quando passa de 2 ou 3 milímetros, mas não existe um número único: os estudos usam limites diferentes, e o incômodo da própria pessoa também conta.

O olhar treinado se incomoda com menos gengiva do que o leigo. Num estudo com fotos editadas, ortodontistas acharam o sorriso menos bonito a partir de 2 milímetros de gengiva, enquanto dentistas de outras áreas e leigos só a partir de 4.

Quantas pessoas têm sorriso gengival depende da população e do critério usado. Os estudos encontraram sorriso gengival em cerca de 7% a 13% das pessoas avaliadas, e algumas revisões falam em até 29%.

Quais são as causas?

As causas mais descritas são estas:

  • Lábio que sobe demais. Do repouso ao sorriso largo, o lábio de cima costuma subir de 6 a 8 milímetros. Em algumas pessoas, os músculos que levantam o lábio o puxam bem mais do que isso, e a gengiva aparece.

  • Lábio de cima curto. Com menos lábio para cobrir, a gengiva fica mais à mostra.

  • Gengiva cobrindo parte do dente. A gengiva avança sobre o dente e cobre parte do esmalte, por isso os dentes parecem curtos e quadrados.

  • Gengiva aumentada. Pode vir de inflamação da gengiva ou de alguns remédios: certos tipos usados contra convulsões, para baixar a imunidade ou para pressão alta. Nunca pare ou troque um remédio por conta própria: converse com o médico que o receitou.

  • Dentes da frente "descidos". Os dentes da frente e o osso que os sustenta ficam mais para baixo do que o comum. Muitas vezes, isso vem com uma mordida profunda: ao fechar a boca, os dentes de cima cobrem demais os de baixo.

  • Osso de cima mais comprido. A maxila, o osso onde ficam os dentes de cima, cresceu mais para baixo do que o comum.

É comum haver mais de uma causa ao mesmo tempo: em dois estudos, um do Egito e outro da Arábia Saudita, isso aconteceu em cerca de metade das pessoas com sorriso gengival. A causa mais frequente também muda de um estudo para outro. Nesses dois, predominou a gengiva cobrindo parte do dente. Num estudo brasileiro, o lábio que sobe demais apareceu, sozinho ou junto de outras causas, em cerca de 7 de cada 10 casos.

Como se descobre a causa?

Pela avaliação, e não por foto. A profissional observa o rosto e o lábio parados e no sorriso espontâneo. Depois mede quanta gengiva aparece, o comprimento do lábio, quanto ele sobe, a altura dos dentes e a mordida. Também examina a gengiva. Conforme o caso, pede radiografias dos dentes, que mostram até onde vai o osso em volta deles. Quando a suspeita é o osso de cima, entra também uma radiografia do rosto de perfil (cefalometria).

Quando a toxina botulínica ajuda

A toxina ajuda quando a causa é o lábio que sobe demais e o sorriso gengival é leve a moderado. Ela é aplicada em pequenas doses, em pontos dos músculos que levantam o lábio, em geral ao lado da asa do nariz. Os músculos relaxam por um tempo, e o lábio sobe menos ao sorrir.

Nos estudos, 2 semanas depois da aplicação, a gengiva que aparece ao sorrir tinha diminuído, em média, cerca de 2,5 a 4,5 milímetros. Aos 3 meses, a redução era menor, mas continuava. Uma das revisões encontrou efeito sobretudo em quem mostrava até 4 milímetros de gengiva. Os estudos são pequenos, diferentes entre si e, em geral, de qualidade baixa, e os resultados variam muito de pessoa para pessoa.

A toxina também pode entrar como complemento, quando há mais de uma causa, e como opção temporária para quem tem indicação de cirurgia, mas não quer ou não pode operar. O sorriso gengival não está na bula da toxina: é um uso que tem estudos, e a indicação é decidida na avaliação.

Quanto tempo dura a toxina no sorriso gengival?

Na maioria dos estudos, o efeito durou de 3 a 6 meses, e em alguns passou disso. Ele começou a aparecer na primeira semana, chegou ao máximo entre 2 e 4 semanas e depois foi diminuindo. Para manter, é preciso aplicar de novo.

Quais são os efeitos colaterais?

Nos estudos, os efeitos colaterais foram em geral leves e passageiros: dor, inchaço, roxo ou vermelhidão no ponto da aplicação. Uma dose acima do necessário pode fazer o lábio cair e cobrir mais os dentes. Uma aplicação mal feita pode, por um tempo, deixar o sorriso assimétrico e dificultar falar, beber ou mastigar. Por isso o comprimento e o movimento do lábio são avaliados antes.

Algumas situações contraindicam a toxina, como gravidez, amamentação, certas doenças que enfraquecem os músculos e o uso de alguns remédios. Conte tudo na avaliação. Os outros cuidados e riscos estão na página da toxina botulínica.

Outros tratamentos para o sorriso gengival

Quando a causa não é o músculo, a toxina não resolve. E, mesmo quando é, há quem prefira um resultado mais duradouro. Estes são os tratamentos mais descritos:

  • Gengiva cobrindo o dente: o aumento de coroa estético, uma cirurgia que tira a gengiva que cobre o dente (gengivoplastia) e, às vezes, um pouco de osso. Aqui, coroa é a parte do dente que aparece na boca, e não uma prótese. Quem faz é o periodontista, o dentista especialista em gengiva. Num estudo que acompanhou 36 pessoas por 9 meses, a gengiva quase não voltou a cobrir o dente.

  • Gengiva aumentada: tratar a inflamação, rever o remédio com o médico quando possível e, se preciso, retirar o excesso de gengiva com cirurgia, em geral feita pelo periodontista.

  • Dentes da frente descidos: a ortodontia, que pode subir os dentes, às vezes com a ajuda de mini-implantes, pequenos parafusos temporários que não são implante dentário. Mas ainda há poucos estudos medindo quanto isso diminui a gengiva à mostra, e eles são de qualidade baixa.

  • Osso de cima mais comprido: nos casos moderados e graves, a cirurgia ortognática, que sobe o osso de cima (a maxila). Ela é feita pelo cirurgião bucomaxilofacial, o dentista especialista em cirurgias da boca e da face, e combinada com o aparelho ortodôntico.

  • Lábio que sobe demais: o reposicionamento labial, uma cirurgia que diminui o quanto o lábio sobe. Nos estudos, a gengiva à mostra diminuiu cerca de 3 milímetros. Parte desse ganho se perdeu com o tempo, e as revisões divergem sobre quanto: de pouco até cerca de 25% em um ano.

Quando há mais de uma causa, os tratamentos podem se somar, e a ordem é combinada entre os profissionais.

Sorriso gengival tem cura?

Depende da causa. Diferente da toxina, o aumento de coroa e a cirurgia ortognática não precisam ser refeitos de tempos em tempos. No reposicionamento labial, parte do resultado pode se perder com o tempo. A toxina botulínica tem efeito temporário: diminui por alguns meses o quanto o lábio sobe, e é preciso reaplicar para manter.

Gengivoplastia ou toxina botulínica?

Elas fazem coisas diferentes. A gengivoplastia é uma cirurgia que recorta a gengiva que cobre o dente. O aumento de coroa faz o mesmo e, às vezes, tira também um pouco de osso. Nas duas, o resultado não depende de reaplicação. A toxina relaxa o músculo que levanta o lábio, e o efeito é temporário. Por isso, a gengivoplastia serve quando sobra gengiva, e a toxina, quando o lábio sobe demais. Quando há gengiva sobrando e lábio que sobe demais ao mesmo tempo, as duas podem ser combinadas.

Na Duality Clinic em Porto Alegre

Este artigo é da Dra. Mariane Felin, cirurgiã-dentista, especialista em ortodontia, CRO-RS 25157. Na avaliação do sorriso gengival, ela procura primeiro a causa: observa o rosto parado e sorrindo, o lábio, a gengiva e os dentes, e diz se a toxina faz sentido. Se fizer, ela mesma aplica. A gengivoplastia, o aumento de coroa e a ortodontia com mini-implantes para o sorriso gengival não são feitos na clínica: quando o tratamento é um desses ou outro, ela explica o porquê e indica o profissional que faz.

Para marcar, use a página de agendamento.

Fontes

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